30 de dez de 2008

rear view mirror

se vc soubesse como gosto de parar no tempo e t olhar. seus cabelos vermelhos, seus olhos castanhos, sua boca d morango. suas unhas roídas sempre pintadas d vermelho. olha! qto tempo não t reparo... vc não está mais roendo as unhas! está menos infantil... um ar d apaixonada! há qto tempo não t via assim? é, vc está certa, faz tempo
sabe o q gosto em vc? essa espontaneidade. esse seu ar d moleca crescida q nunca acaba. qdo há mãos roçando seus cabelos e seus olhos se enchem d luz e vc abre levemente as pernas. e como vc se alonga toda qdo ganha um beijo no pescoço. parece um gatinho travesso, se expandido pra aumentar a zona d contato
gosto como seus olhos dizem sim para pedidos silenciosos, como vc não precisa dizer nada qdo quer alguma coisa. vc só olha pra baixo, pisca e levanta a cabeça lentamente ao mesmo tempo em q sua boca se preenche com um sorriso no canto dos lábios
o qto é difícil pra vc dizer não, né? o qto é difícil pra vc se entregar. o qto vc é contraditória em tudo q faz... diz q quer estar pra sempre sozinha, mas se apaixona toda pelo primeiro par d olhos q t faz tremer. e logo em seguida esconde seus sentimentos em sua caixinha d pandora. se vai e esvai e deixa passar as chances e sofre por antecipação e não sente por emoção. e seus olhos ficam sem brilho e sua boca, fica sem cor
gosto d t ver sorrir, msm sabendo q não é d verdade. gosto d t ver chorar, msm sabendo q é só tpm. gosto d t ver passar e reparar em cada um d seus movimentos milimetrados pra chamar a atenção dos outros. gosto do qto vc chama a atenção dos outros! como pode... uma menina sem grandes atratativos... apenas uma menina... mas q sabe se impor. os outros acham q vc sabe o q quer, eu sei q não. eu sei do vazio q t consome
adoro a paixão q t inunda qdo vc fala sobre seu vazio, suas angústias, sua vontade d morrer
eu conheço esse sorriso. e eu tenho vontade d t agarrar, t jogar contra uma parede. t comer inteira, com vontade, com força e com vigor. como vc gosta. beijar as suas costas com furor. apertar vc inteira. t preencher. encher esse vazio q t consome por dentro
mesmo sabendo q, assim q tudo acabar, vc vai sofrer. q com a msm intensidade q vc sentiu esse momento, tudo se esvai, e vc vai chorar lágrimas d sangue. e vai se cortar, se machucar, se matar. vai se jogar na cama ardendo em chamas, soluçar agarrada com sua pimenta d pelúcia e, infantilmente, vai acariciar a ponta do travesseirinho q t acompanha desde a infância. é como se cada um q usasse seu corpo levasse um pedaço d sua alma. um pedaço irrecuperável. e seu vazio aumenta e aumenta e aumenta.
ah! se vc soubesse o qto eu queria me atirar na cama com vc, apagar suas lágrimas com beijos ardentes, encher o seu corpo com o calor da minha alma, t fazer sentir viva e completa e feliz e sussurrar no seu ouvido aquela música q vc tanto ama, sabe?

hey little apple blossom, what you seems to be the problem?all the ones you tell your troubles to, they don't really care for you
come and tell me what you're thinking, 'cause just when the boat is sinking, a little light is blinking, and I will come and rescue you
lots of girls walk around in tears, but that's not for you. you've been looking all around for years for someone to tell your troubles to
come and sit with me and talk awhile; let me see your pretty little smile. put your troubles in a little pile, and I will sort them out for you
lots of girls walk around in tears, but that's not for you
you've been looking all around for years, for someone to tell your troubles to.
come and sit with me and talk awhile; let me see your pretty little smile. put your troubles in a little pile, and I will sort them out for you
i'll fall in love with you
i think I'll marry you

me espera, eu estou aqui só t olhando
estou sempre por perto
mesmo qdo estou longe

eu t conheço e t amo

26 de dez de 2008

reencontro com uma alma tão semelhante

foi assim q o andré descreveu seu (re)encontro com a florbela espanca. falei sobre ela a ele numa das nossas profundas conversas sobre carregar a dor das feridas do mundo e o desespero d se sentir assim.

me dei conta d q ando apaixonada. e isso inclui a florbela, cujo nome não podia ser mais belo. mas, ainda assim, não tinha feito nenhuma referência a ela em nenhum lugar. mas eis o momento.

meu único lamento é terem tirado o veronal de circulação...

sem remédio

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou…
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos da Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio.
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

desejo
Quero-te ao pé de mim na hora de morrer.
Quero, ao partir, levar-te, todo suavidade,
Ó doce olhar de sonho, ó vida dum viver
Amortalhado sempre à luz duma saudade!

Quero-te junto a mim quando o meu rosto branco
Se ungir da palidez sinistra do não ser,
E quero ainda, amor, no meu supremo arranco
Sentir junto ao meu seio teu coração bater!

Que seja a tua mão tão branda como a neve
Que feche o meu olhar numa carícia leve
Em doce perpassar de pétala de lis…
Que seja a tua boca rubra como o sangue
Que feche a minha boca, a minha boca exangue!
…………………………………………….
Ah, venha a morte já que eu morrerei feliz!…
*imagem: florbela espanca por botelho

22 de dez de 2008

taste the pain

sua boca tem gosto d cerveja, whisky e cigarro
vc é seco e é amargo
seu corpo tem gosto d cerveja, whisky e cigarro
vc é seco e é amargo
suas mãos tem cheiro d cerveja, whisky e cigarro
vc é seco e é amargo
seu sexo tem cheiro d cerveja, whisky e cigarro
vc é seco e é amargo

vc tem gosto d mim
vc tem cheiro d mim

vc é seco e é amargo

17 de dez de 2008

desabafo

a idéia de suicídio tem se tornado cada vez mais recorrente na minha vida. de repente, é como se eu voltasse a ter 16 anos e as angústias tomassem conta d mim, me levando pra um único pensamento possível: a auto-destruição. durante anos e anos, me queimei com fósforos. a dor da auto-mutilação é mto menor q a dor interior. a sensação q tenho é q há um vazio gigante dentro d mim. é impossível preenchê-lo. sempre q tenho a impressão d q estou completa, feliz, diante d uma possibilidade d “vida”, o vazio se move, pra cima e pra baixo, pros lados, ocupa tudo, me incomodando, dando aquele nó na garganta, aquele arrepio no estômago, aquela sensação de boca seca, aquela vontade d morrer, q só um enorme vazio interior é capaz de provocar...
hoje é um dia desses. E eu nem estou de tpm. queria, como disse a marina, deitar, dormir e só acordar depois do apocalipse. estou com uma tristeza desesperadora e a idéia de acabar com a minha própria vida não pára de atravessar os meus pensamentos.
às vezes, acho q só estou viva pelos outros. pq só vou atrapalhar a vida dos outros me jogando do 11º andar no meio da avenida paulista ou no trilho do metrô. pq os outros vão sentir falta, pq os outros vão sofrer. não por mim. não por meus planos. nem tenho mais planos. acho q meu único plano é viver até morrer. mais nada. e são justamente esses outros pelos quais eu me mantenho viva q tanto me incomodam, me maltratam, me magoam, me machucam. todos tão egoístas qto eu. dizem q suicidas são egoístas. eu sou egoísta, mas, provavelmente, não sou suicida, pq, até hj, não me matei apenas para não atrapalhar, magoar, machucar, estragar a vida dos outros. passo meus dias me sentido atrapalhada, magoada, machucada, estragada. mas não acabo com a minha vida pra não transferir esses sentimentos para os outros. oh, doce thaís! como és pura e bela de coração!
penso no qto minha mãe sofreria ao me perder. mas será q ela não sofre mais com a minha auto-destruição? ela não sofre pq não vê. ela enxergaria facilmente meu corpo inerte preso em um caixão d madeira. mas ela não é capaz d enxergar meu corpo inerte preso em uma multidão d culpas, incertezas, tristezas, angústias. ela enxergaria facilmente meu nariz cheio de algodão. mas ela não é capaz d enxergar meu nariz cheio d poeira das estrelas. ela enxergaria facilmente minha cabeça esvaziada d miolos. mas ela não é capaz de enxergar esse vazio q ocupa tudo dentro e ao redor d mim. e a culpa não é dela. nem minha. nem d nada. nem d ninguém. queria q fosse, pq, aí, seria só me livrar do culpado. queria q a dor fosse física. algum remédio curaria.
esses dias a lia escreveu sobre o fato dela somatizar seus sentimentos. esses dias, a minha terapeuta falou sobre eu somatizar meus sentimentos. acho q essa é a melhor maneira d sentir. do resto, estou esvaziada. não amo, não gosto, não sinto, não odeio. penso, ajo. e sou vazia.
é tudo ainda mais terrível. me sinto à vontade contando isso tudo pro papel, como não me sinto contando pras pessoas. as pessoas vão me ligar e perguntar o q eu tenho e querer me convencer d q estou errada, q “eu tenho tudo q quero”, q “reclamo d barriga cheia”, “q tem tanta gente em situação pior”. tem tanta hiena q come carniça e ainda dá risada! eu não sou assim. não adianta tentar me convencer. não adianta me ligar, me culpar, me julgar. eu tenho consciência do mundo e isso dói demais. nesses momentos, uma das coisas mais bregas do universo vem à minha cabeça. legião urbana. brega, mas condizente com o q sinto e penso:
“queria ser como os outros e rir das desgraças da vida. ou fingir estar sempre bem. ver a leveza das coisas com humor. mas não me diga isso, é só hoje, e isso passa. só me deixe aqui quieto, isso passa. amanhã é um outro dia, não é?”
amanhã não é outro dia. não é só hoje. e isso não passa. mas eu não agüento mais fingir q estou sempre bem. nunca consegui rir das desgraças da vida e nunca mais quero ser como os outros.

eu só queria não pensar mais, não sentir mais, não viver mais. só isso.

15 de dez de 2008

a conexão não pôde ser estabelecida

meu micro d casa parou
mas comprei um notebook pela internet q deve chegar em breve
enqto isso, to usando o do meu primo pra postar aos poucos os vários textos q escrevi nesses tempos sem comunicação com o mundo
aproveitando o momento, quem quiser se rachar d rir pode ver esse videozinho q eu gravei bêbada na casa da betinha q eu taaaaanto amo!

enqto isso...

loser

um dia vc acorda e a boca está cheia de formigas
um dia vc acorda e os pulsos estão vazios
um dia vc acorda e a garganta é o gosto do veneno
um dia vc acorda e a pele está queimada
um dia vc acorda e o pescoço está enrolado
um dia vc acorda e o corpo está caído
um dia vc acorda e a sua cabeça não está mais lá pra pensar de novo

18 de nov de 2008

short cuts*

sexta
A – pô, parece mesmo. aquela mina que é mulher do otto, né?
B – não, é ex. largou. tá usando até maquiagem na tattoo.
C – porra! pra que maquiagem? é só pôr um érre. fica “ottRo”!

sábado
A – mano! pára! cê rói demais a unha!
B – ah! foda-se!
A – gosta tanto que podia fazer disso profissão. ficar sentado lá no centro, com uma plaquinha: “rói-se unha”.

domingo ensolarado
família na porta de casa. o carro de som, as bexigas, o skypaper, o megafone. a declaração de amor. as lágrimas da família inteira. mãe, pai, menina, irmão, sobrinha, irmã, cachorro, tia, cunhado, gato, outra sobrinha. o quer casar comigo no ouvido do bairro todo. do outro lado da rua, os meninos. amigos, atrás do muro. “declaração de amor uma porra!”. 24 ovos acabando com a festa.

e amanhã, é segunda de novo

“your mother calls, your friends never call, your dog died and tomorrow is monday again...” (css)

A - sabe que eu acho esse nosso grupo perfeitamente adequado?! um estudante de engenharia, odontologia ou nutrição certamente diria alguma coisa técnica sobre a ventilação, o desenho e a estrutura do prédio, a captação de energia eólica, as falhas no projeto... nós falamos sobre as conseqüências no espírito de uma pessoa por ficar sem contato visual com o exterior, sem poder ver o brilho do sol, sem ver os passarelhos e passaralhos voando livres e brincalhões, numa disputa selvagem do rasante mais arriscado sobre a fria moldura da cidade; ou falamos sobre as gotas de chuva, debatendo-se frenéticas contra a vidraça, forçando a entrada e melando sensualmente os grandes lábios famintos da segunda-feira, que nos engole mais um naco da vida, em troca de um punhadinho de papéis numerados e coloridos de infâmia.

B - sim, sim. tudo seria mais fácil, se não tivéssemos nascido com esse buraco q insiste em arder dentro de nós. tudo seria mais fácil, se não fossemos criaturas incompletas q buscam no mundo uma justificativa para sermos assim. tudo seria mais fácil, se fossemos tolos e vivessemos sorrindo por aí, sem perceber a infinidade d contradições q existem dentro d nós. tudo seria mais fácil, se tivéssemos ouvido nossos pais e feito engenharia, odontologia ou nutrição, ao invés de procurar no texto dos outros as respostas para nossas angustias e para os problemas do mundo.

*baseadas em fatos reais. os nomes foram trocados para preservar a identidade das personagens.

11 de nov de 2008

víííííício!

e com o dinheiro q ganho lançando fundos de investimento, posso suprir minhas carências, descontar minhas raivas, esconder minhas frustrações, transformar meus problemas em êxtase e tesão. como? simples: fazendo terapia, tomando tarja preta e, principalmente, COMPRANDO SAPATOS!

quem me conhece sabe q eu tenho uma "pequena" coleção d melissas. sim, melissas. melissinhas. di prásticu. aquelas d qdo vc era criança. elas são um luxo. objetos d desejo. duráveis (até a próxima coleção). muderrrrrrrnas. hypadas. colecionáveis. ou seja: a mais pura essência do consumismo capitalista.

resumindo: eu podia tá robano, eu podia tá matano, eu podia tá xerano droga. mas não. eu tô contribuindo para o capitalismo.

esses dias foram tensos, mas rolou a plr do banco. com o q sobrou depois de quitar algumas (eu disse: algumas!) dívidas, comprei mais seis exemplares pra minha coleção. já devo ter mais d 50... eu não sei... antes, fotografava uma por uma, assim q elas chegavam e, ainda por cima, montava uma foto com todas juntas. da última vez q comprei, não fiz isso e acabei perdendo a conta.
lá em cima, a última fotinho da coleção (in)completa e, abaixo, fotinhos dos modelitos q estão pra chegar. chegar, isso. eu compro pela internet.

sim, sou quase a imelda marcos do século XXI


ps: caso alguém tenha se perguntado, além da coleção de melissas, eu ainda tenho outros sapatos. desses normais d ir trabalhar, d ir correr no parque, d ir em show d róque...

ps2: caso alguém tenha se interessado, eu compro na loja melissa e na unik melissa e não ganho nada pra fazer propaganda.

too far, too close

de repente me deu vontade de voltar a estudar
voltar do pré-primário
colorir com lápis de cor 36 cores aquarelável
fazer pintura a dedo com tinta guache
criar pinturas em espelho com tinta plástica
dar formas à massinha de modelar
fazer bolinhas, zig-zags, colagem de barbante
aprender as primeiras letras, as primeiras sílabas, as primeiras palavras
fazer teatro e tocar flauta
ler os livrinhos do draculinha, pretinho meu boneco querido, mariana do contra, as cores de laurinha
começar a somar, diminuir, dividir, multiplicar
conhecer a história da humanidade do começo até hoje
conhecer a geografia toda: a física, a política
aprender as regras de gramática do comecinho
ler os clássicos pra entender os contemporâneos
fazer a educação física q eu sempre cabulei
correr no pátio, na hora do recreio
beijar pela primeira vez na boca, em algum cantinho escondido da quadra coberta
descobrir a biologia, a física e a química
fazer cursinho, prestar vestibular e dar um novo rumo pra minha vida
como se nunca tivesse feito nada disso antes
uma vez, um professor da faculdade disse:
“eles colocam os moleques na escola, quando deveriam estar por aí, soltando pipa, andando de bicicleta. as crianças gastam a melhor parte de suas vidas aprendendo coisas para as quais elas não dão valor. moleque devia entrar na escola com 20 anos. aí sim, se está pronto pra aprender.”
ele tem toda razão
hoje, com 24 anos, eu poderia aproveitar mto mais a escolinha, o colégio, o cursinho... quiçá, a faculdade...
mas já tá tarde, a crise econômica mundial não dá tréguas e eu tenho um monte de fundos de investimento pra lançar
aos 24 anos...

29 de out de 2008

tamo ficando velho

sabe qdo a gente sabe q tá ficando velho?

qdo sabe o q c.i.d. quer dizer
e, pior q isso, começa procurar os cid dos atestados médicos no google pra descobrir o q tem

acabei d descobrir os meus:

C.I.D. E06.3 - síndrome da tireóide auto-imune
C.I.D. F41.0 - transtorno de pânico
C.I.D. M65.8 - outras sinovites e tenossinovites

esse último aí vai me deixar d molho em casa pelos próximos 8 dias
braço esquerdo na tala, até o meio do bíceps
sem trabalho
ok
mas sem bebida, sem academia e sem piscina já é demais!
como vou equilibrar o copo de vodka e o marlboro light assim?

em tempo: hj vou no ginecologista, talvez ainda volte de lá com mais um cid pra minha coleção

moral da história: quem procura, acha!

22 de out de 2008

fazendo um som


faça vc tb, o seu próprio disco aqui!

13 de out de 2008

tamo crescendo

sabe qdo a gente percebe q tá ficando velho?

qdo as nossas amigas de infância, aquelas q a gente conhece desde q tinha 5, 6 anos, começam a provar pra gente q cresceram...

...a primeira de nós casou...



...a primeira de nós está grávida...

...e eu continuo equilibrando o copo de vodka numa mão e o marlboro light na outra...



7 de out de 2008

momento auto-estima

pronto, passou
foi só um momento de baixa auto-estima
eu sei bem pq esse blógue existe: ele existe pra eu falar comigo

mais nada
nunca pedi pra ninguém entrar, ler, comentar
por mto tempo, ele foi só meu
e foi o melhor tempo q ele existiu
pq eu via uma coisa e corria pra frente do computador pra escrever antes d esquecer
mas agora, passou
me dá uma preguiça enorme
e eu esqueço as coisas q queria escrever
pq não posso ser despretensiosa
tenho q pensar: "tem gente lendo aki. preciso provar pra eles q sei escrever. só pq eu fiz letras e li um monte d livros e ouvi um monte d músicas e conheci um monte d gente. se eu fosse analfabeta, só precisava saber apertar umas letras. mas eu sei ler e escrever e preciso provar q sei fazer isso bem"
aí, fico com preguiça
não escrevo
ou, qdo escrevo, fica a merda q eu não queria q ficasse
mas dane-se
não preciso vir aki e provar pra ninguém q eu sei quem foram "paul verlaine e baudelaire" e "por fim Jacques Lacan" e pior, q consigo colocá-los numa mesma frase e montar um textinho cheio de frases de efeito q sirva pra comentar no blog de qq pessoa, não importa o q quer q ela tenha escrito
não importa
importa quem eu sou
importa o q eu gosto e o q eu penso
importa q eu sou confusa e frustrada e sem limites
não importa q eu faça aos 24 anos coisas q as pessoas "normais" faziam aos 14, 17 anos
talvez pq aos 14, 17 anos, eu fizesse coisas mto mais maduras, como entrar na universidade e conseguir um emprego público
não sei pra q, não sei pq, mas era isso q eu tava fazendo
e parece q "deu certo"
não sei pra quem, não sei por qto tempo, mas deu certo
e outra: se eu ligasse pro q os outros pensam sobre mim, já teria pintado o cabelo de loiro, emagrecido 30 kg, colocado silicone e ido dançar no caldeirão do huck

pra ser sincera, de q adianta um texto lindo, rebuscado, cheio de frases de efeito e referências intelctualóides se ninguém consegue ler até o fim?

prefiro besteiras despretensiosas como essa, q t fazem querer mais e mais...
me recuso a postar de novo
não sei pq esse blógue existe
pq ele tá aqui
pq eu escrevo umas besteiras nele
pq minha vida é chata
e pq não tenho nada pra falar
quem quiser ler algo decente, leia o comentário que o sérgio luiz (acho q é isso) deixou na postagem "i love 90's"
that's all, folks!

29 de set de 2008

i love 90's

chego em casa às 6
isso nunca acontece
hj teve ultrassom da tireóide
tô em casa cedo
ligo a tv, novela
guia: vh1
adoro a vh1
sempre tem clipes legais
tá passando i love
adoro o i love
pq sempre amo o q tá passando
é o i love 90's
são 6 e 20 e tá rolando chico science & nação zumbi
me chacoalho até a cozinha ao som de manguetown
as luzes, as cores, os óculos
o xixi, é ao som de bermudas, camisas xadrezes e cabelos sujos e desgrenhados
even flow
o eddie veder dando mosh de cima da coluna
minha adolescência regada a grunge e o pearl jam ecoando de trilha sonora
sento no sofá de novo, é a vez do offspring
come out and play!
impossível não cantar junto "keep'm separated!"
há!
impossível!
caralho! sonic youth!
já falei q amo sugar cane?
i love u sugar cane!
e, num passe de mágica, um hino
um hino à minha adolescência problemática e doentia:
o loser do beck!
i'm a loser, baby
so why don't you kill me?
o q eu podia querer mais?
uma pausa para o banho
é a vez da sheril crow
enquanto a água escorre, mais um hino
não a mim, não à minha adolescência
mas um hino aos anos 90
as luzes, as roupas, os cabelos
counting crows - mr jones
quem não dançou isso, uma vez q seja?

ok, prefiro os clipes do white stripes
mas as luzes, as cores, os efeitos
o beck e o caixão em stop motion
a distorção do sonic
o barulho do offspring
a sujeira do pearl jam
é tudo tããããão 90's
i love 90's
foi neles q eu cresci, foi neles q aprendi a ler, escrever e ouvir música

a música já tinha morrido nos 90's
mas, pra mim, foi nos 90's q ela nasceu

17 de set de 2008

it's all about sex

começo, é tenso. carrega todas as ansiedades do mundo. não é a primeira, não é a segunda vez. mas é. e sempre é.
a tensão, a intenção, o tesão
já não é mais ansiedade, é só o peso... é só o peso e a velocidade... é só o peso, a velocidade, o atrito... ah! as leis da física! ah! o atrito ideal, a velocidade ideal, o peso ideal... é só físico e é só sonho... é meta, é físico, é transcendental, é irreal, é mortal e é carnal...
é a terra abrindo
é o céu caindo
é o fogo saindo
é a água ardendo
aos poucos, é tenso e é leve e flutua... tudo flutua... flutua, flutua e é o infinito... é a alma descolada do corpo, assoprada pela saliva, inundada pelo calor, inflamada pela respiração...
é a alma contrariando as leis do universo
é o universo conspirando para que a alma respeite suas leis
é inferno, é o paraíso
é a alma voltando bruscamente pro corpo
é silêncio e é tensão
mas é leve, tão leve, q finca no chão

2 de set de 2008

madoooooonna mia!

putz
faltam só 2 horas e meia pra começar a vender o ingresso pro show da madonna
and i'm so fucking excited
sei lá
nem gosto de madonna há tanto tempo assim
mas ela faz parte da trilha sonora da etapa mais foda da minha vida: faz um ano que eu estou solteira, curtindo a vida adoidado, vivendo uma história sem fim, mergulhando numa lagoa azul... enfim! vivendo a vida tão despretensiosamente qto na sessão da tarde
ouvi mto o confessions nesses últimos doze meses
o devedê (q virou pó, por sinal), se falasse, teria mta história de verão pra contar
e esse verão durou mto, mas mto, mais q 3 meses
haja história
e pensar q, há tempos atrás, qdo eu era uma garotinha roqueirinha ferrenhazinha cheguei a dizer q pessoas q gostavam de madonna eram ridículas, q tudo q era pop, era ridículo
(como eu não percebia q tudo era pop? q todo aquele roquezinho de butique nada mais era q pop? e q chico buarque é pop e q mutantes é pop e q o papa é pop? crianças... tsc tsc)
e pensar q, qdo assumi pela primeira vez q o som da madonna era divertido (sim, comecei achando divertido, só se tornou excitante mais tarde), ouvi: "mas não foi vc q falou q é ridículo gostar de madonna?"
pois é, beibe
tem tanta coisa ridícula no mundo
tipo: pagar pra ver o caetano com o robertão cantando bossa é ridículo, mas tem gente q faz!
vc, por exemplo, faria. eu, por exemplo, faria.
e gostar de coisas novas, por exemplo, é legal
se deixar levar e conhecer coisas novas, sem preconceitos, é legal
ainda q a coisa nova tenha 50 anos e faça sucesso há mais de 20
ainda assim, é legal
it's time to grooooow uuuuup
e é o q eu tô tentando fazer há anos

tem gente q tá acampada
a ká tá indo pra lá
eu, vou ficar de campana aqui
meia-noite, é nóis!
a pris não atende o cel
a si nem falou se vai
o rafa, ah! o rafa... só sai da aula 11 horas

e eu to aki, fazendo o tempo passar da ponta dos dedos pro teclado

26 de ago de 2008

nightmare

sonhei q estava na china essa noite
e não dava pra ver o sol
e o céu não era azul
e eu senti medo
pq era um pesadelo
aí, acordei e tava em são paulo
e não dava pra ver o sol
e o céu não tava azul
e eu senti medo
pq não era um pesadelo

19 de ago de 2008

patriotismo (ou pq eu torço pra seleção argentina)

manifestação dos veteranos não reconhecidos da guerra das malvinas - plaza de mayo - segunda-feira, 12 de maio de 2008
pois é
peguei birra da seleção brasileira de futebol pq só tem jogador poser e mercenário
jogadores q pedem pra não jogar na seleção
q preferem os salários milionários da europa a fazer seu próprio povo feliz
quanto estive na argentina, o patriotismo argentino me fez ver o qto nós somos pobres
a economia deles vai d mal a pior
a nossa, cada dia está mais aquecida
mas eles não são pobres, miseráveis e ignorantes
pq eles não são pobres, miseráveis e ignorantes de espírito
como é esse povinho daqui

não digo q os jogadores argentinos não jogam na europa
mas, se não me engano, o messi fez a maior campanha contra seu time pra poder jogar as olimpíadas
enqto isso, jogadores brasileiros, como a bicha do kaká, por exemplo, pedem pra não jogar na seleção
fora aqueles q, no seu time original, dão show d bola e, qdo jogam pela seleção, parecem os caras lá do meu bairro q se reúnem nos fins d semana pra bater uma bolinha na quadra q fica na praça
o namorado da filha do maradona pode até jogar na europa, mas, pelo menos, jogou decentemente pela seleção do país dele
e os jogadores da seleção brasileira? eles estavam em campo?

tb não digo q a seleção argentina é melhor q a brasileira, nem q não é violenta, marrenta, cheia d fazer encenação e cai-cai
pra mim, pelo menos, é claro q o brasil tem uma seleção com jogadores mto superiores aos q defenderam a seleção do país da prata, mas, sem os jogadores efetivamente em campo, fica difícil ganhar até torneio "inter-bairro"

não esperava quase nada no brasil nas olimpíadas, afinal, q condição o nosso país dá para o desenvolvimento do esporte e dos atletas nesse país?
tem atleta q teve q vender o carro dos pais pra comprar passagem
tem atleta q a única ajuda q recebe é um lugar pra treinar
tem atleta q não recebe nada
o q esperar deles?

mas, dos jogadores d futebol, q são, depois dos traficantes e políticos d brasília, os trabalhadores mais bem pagos do brasil (e isso inclui aqueles q ganham rios d dinheiro na europa), o mínimo q se podia esperar é q entrassem em campo e jogassem bola pelos idiotas q patrocinam os seus salários...
e eu, particularmente, parei de bancar a audiência q paga os salários de jogadores pobres, miseráveis e ignorantes d espírito
sejam eles da pseudo-seleção
sejam eles do time q eu amo

nota: eu juro q eu não queria escrever sobre as olimpíadas, mas foi inevitável... o original deste texto está postado no grupo de discussões (hahaha!) Safra 2003, do qual faço parte

15 de ago de 2008

textículos

um texto do ano passado. esse eu escrevi em uma das taaaantas fases em q fico questionando tudo... o q mudou d lá pra cá? q não tenho nem 4, nem um só!

troca-troca
troco meu coração por um fígado
troco minhas orelhas por um nariz
troco dinheiro por horas de sono
troco os 4 caras com quem estou meio enrolada por um que se enrole inteiro em mim

e pra fechar, um textinho q não é meu:

é vaidade
é uma farsa
lembre-se
é lábia
lábia, lábio, leitura labial, entrelinha
a língua resolve tudo
quase tudo
uma aliança, nem tanto
amar pra ser amado é punheta
acho que é medo de perder controle
beleza interior - coisa de ginecologista
rs
assuma
faça cara de feliz
é só um estado de ignorância momentâneo
será ainda pior
mas não sou tão bom assim em disfarçar
hum... se não consegue.... foge...


(diálogo do msn encontrado em mambo.blogspot.com)

é tudo uma farsa, é tudo álcool
beijosmeligaqueéfimdesemanaeeuqueromeacabar

9 de ago de 2008

i've been working on a piece that speaks about sex and desperation...

ok, eu ando sumida... sumida, mas bem, bem, bem sumida desse blógue... é q, aki, eu escrevo pra mim msm e, qdo to d mal de mim, não tenho motivo pra vir aki e falar comigo... enfim... têm sido tempos difíceis...
o tom das postagens anteriores revelam o qto ando insatisfeita com meu trabalho, meus estudos, meu corpo, minha vida. and there is nothing I can do to keep from crying when he calls your name, jolene...
ademais, esses tempos foram agitados: em maio, estive na argentina... ah! buenos aires! buenos very fucking aires! living la vida loca! nunca imaginei q eu pudesse me sentir rica em algum lugar do mundo... mas em buenos aires! i was a queen! as melhores baladas, as melhores bebidas, os melhores restaurantes, as melhores compras! argentinos por todos os lados... classe, elegância, fascinação, por todos os lados! tudo tão fútil qto eu precisava q fosse... é impressionante como podemos ser vizinhos... tão diferentes e tão iguais! é como se a argentina fosse um irmão mais pobre, mas q sabe se comportar como se fosse mais rico q a gente... acho q nunca estive tão completa e feliz qto nos dias em q eu passei em buenos aires... mas, aí, 8 dias depois, acabou e eu voltei pra triste e cruel realidade q me esperava: i'm not a queen, i'm just a teeny tiny little ant, checking out this and that...

I am a bitch with a malrboro light on my left hand and a glass of vodka in the right hand

o sumiço tb se deve ao fato de eu estar me dedicando a um projeto (acho engraçado essa coisa d projeto... me soa tão fefelechiano e eu não mais uma garotinha fefelechiana!)... i've been working on a piece that speaks about sex and desperation... to escrevendo um texto q promete ser longo... uma história basicamente real, q fala sobre sexo, drogas e rock'n'roll e como minha vida virou apenas isso... como eu me enfiei nessa tríade e em outra tríade: um namoro a três...
enfim, dentro em breve pretendo retornar com essa história por inteiro aqui no blógue...
enquanto isso, fiquem com o yeah yeah yeahs arregaçando tudo em art star!




um beijo!

16 de jun de 2008

suicidal tendencies

da próxima vez que você ouvir o anúncio de que houve um "incidente com usuário na linha", pergunte na sso se ele usava melissas...

16 de abr de 2008

história do corpo humano

capítulo 1
quando o homem surgiu na terra, o corpo humano era formado por cabeça, tronco e membros.
com o passar dos anos, a estrutura corpórea tornou-se complexa.
atualmente, o corpo humano é composto de transtornos, síndromes e males; gordura, colesterol e câncer; celulite, tendinite e silicone.

11 de abr de 2008

esgoto (livremente inspirado em fatos reais)

nem ele mesmo sabia como tudo tinha acontecido. o que havia agora, era só o resto. só o que sobrou. só o lixo do lixo do lixo... nada mais. tentava reconstruir a trajetória. cada um daqueles anos. mas era difícil. era como se, nesse período, não tivesse visto nada, sentido nada, comido nada, pensado em nada. um eco de anos. como anos podem ter eco se ele tinha praticamente certeza de que havia vivido cada um daqueles minutos?
aos poucos, todas as certezas se dissipavam. teria ele vivido realmente? ou ele estava morto e só vivia agora? ou pior... estaria ele morto agora? um pouco, realmente, poderia estar. talvez entre o vivo e o morto. como uma massa amorfa vagando. mas, talvez com vida e forma e esforço e realidade. mas era impossível distinguir a maneira como estava nesse momento.
vazio, oco e furado. pronto. ele decidia que estava vazio, oco e furado. todo mundo, um dia na vida, se sentiu vazio, oco e furado. ele mesmo, quando tinha seus vinte anos. quase caiu de cima da cama dos pais, na qual havia subido para procurar a certidão de nascimento no maleiro do guarda-roupa, quando viu escrito “Breno Felix Cordeiro”. tinha passado mais de 20 anos assinando “Breno Félix Cordeiro”. além de perder a identidade, perdeu a ilusão. era como se nunca tivesse vivido antes de descobrir que seu sobrenome não tinha acento... foi nisso que pensou quando definiu sua condição atual. mais uma vez, era como se nunca tivesse vivido. Estava vazio, oco e furado.
CONTINUA...

30 de mar de 2008

i gotta a man

i gotta a man who makes me wanna kill
i gotta a man who makes me wanna kill
i gotta a man who makes me wanna kill
babies, babies, babies, baaaaaabiiiiiieeeeessssss

26 de mar de 2008

nada que é ruim...

o pior de tudo é quando a gente não tem nem mais pra quem oferecer

18 de mar de 2008

empreendedorismo

resolvi abrir uma firma e ganhar dinheiro com algo inspirado na minha vida sexual: um delivery de pizza em que, ao invés do cliente ligar pedindo a comida, a gente liga oferecendo.

8 de mar de 2008

eternamente insatisfeita

tirei os 2 dentes do siso que faltavam ontem e, por isso, estou em casa de molho. a cara inchada, um puta gosto ruim de sangue na boca e a auto-estima lá na unha do dedo mindinho do pé esquerdo. ficar sem fazer nada me faz pensar em mim. ou em quanto, cada dia que passa, me afasto de mim mesma, da minha realidade.
quando terminei com o namorado de quase 5 anos, há pouco mais de 6 meses, tinha certeza que ia encontrar a mim mesma. ia encontrar a menina que eu tinha perdido quatro anos e meio antes, quando deixei de ser eu mesma pra ser a namorada perfeita. claro, q no período em que eu finigia ser a namorada dos sonhos, muitas vezes, a minha essência insistia em tomar conta de mim e, quando eu percebia, eu estava sendo a velha garotinha problemática de sempre. e era essa garotinha irresponsável, insensível, insandecida que eu tava procurando quando larguei, pra sempre, o namorado.
em uma semana, não só a encontrei, como ela tomou conta d mim e passei a me sentir completa d novo. momentos incríveis aconteceram... como o q eu descrevi no texto "solteirice", que escrevi em alguma aula da faculdade, no fim do ano passado. conheci pessoas impressionantes, me reaproximei de pessoas inesquecíveis e fiquei plenamente satisfeita.
mas, parece que, com a ausência de dois dentes, estou me sentindo vazia de novo. não vazia o suficiente para ligar pro ex-namorado e querer transar com ele. mas vazia o suficiente para questionar quem eu sou. parece que ser só a garotinha problemática, embebida em álcool e noitadas, não é o suficiente. mas também não é o suficiente ser a namorada perfeita, que ama o namorado e é capaz de qq sacrifício por ele. não são suficientes as amigas, os amigos, as bebidas, as baladas, o sexo ocasional, o sexo com hora marcada com aquele cara q nunca liga no dia seguinte, as músicas, o carro, o dinheiro, a mãe, o pai. nada é suficiente pra mim.
se a falta dos dentes me deixou vazia é pq em algum momento dessa semana, eu achei que estava grávida. e fiquei desesperada, pq, não seria capaz d levar adiante uma gravidez nesse momento louco d vida. mas, se eu estive grávida d verdade, talvez tivesse algum motivo pra não querer estragar a mim mesma, me punir, por eu não conseguir ser quem eu gostaria que eu fosse. se eu estivesse grávida, estaria fudida. minha mãe não ia achar legal eu chegar e falar: "mãe, esse é o douglas e ele é o pai da criança q eu to esperando." se eu estivesse grávida, talvez encontra-se todas as respostas.
difícil entender.
o telefone tocou e era uma dessas amigas q fazem a vida valer a pena. "não, não vou poder sair pra conversar com vc hj, to d molho, tirei os sisos. é, fudida, pra caralho." e nesses momentos, nem encontrar as pessoas q me fazem querer viver eu posso. a outra está longe. curitiba. foi visitar o irmão q largou tudo pra viver um grande amor. a outra mandou msg. hj é dia das mulheres. eu só queria ser uma mulher pra sentir o orgulho d ter um dia só meu.
hj eu to vazia, inchada, sangrando. puta da vida, com a vida, pela vida.
amanhã, provavelmente a cara desinchou e eu vou poder sorrir de novo.
na segunda, então! vou estar feliz por ter um emprego, um carro e um cara q me come qdo eu ligo pra ele...

26 de fev de 2008

em tempo...

...ainda faltam 22 parcelas do carro popular pra pagar...

beletrista

Descer do carro. Mas antes, respirar fundo. O ponto de ônibus à direita e a lembrança das noites frias de agosto esperando o horto chegar. O farol de pedestre quebrado. Será que alguma outra vez ele esteve quebrado antes? Não lembro. A escadaria... a longa escadaria... a primeira vez que vi, estava com meu pai e era de dia. Eu tinha subido aquela escada com o coração nos pés. Cada batida, um passo. Dessa vez, era noite. Incontáveis vezes subi e desci ali sem que meu coração batesse. Dessa vez, ele estava batendo de novo. Ritmado pela ansiedade. A lama... ah! A lama! Um dia achei bonito ser hippie, fumar maconha e viver em contato com o natureza... hoje, ela estava ali grudada no meu sapato de cetim. Não vou sentir falta disso. O prédio, a pichação, a xerox. O que são aqueles computadores ali? Além de papel higiênico no banheiro, agora temos computadores ali também? A cópia... as pastas... o Sinomar e seu centro-avante que nunca vem pro jogo. Mais escadas... tantas pessoas, tantas! Posso sentir a ansiedade em seus olhos... tanto quanto eu, a vida delas muda hoje. Mas elas não sabem de nada ainda... é tudo lindo, é tudo perfeito. Elas tem orgulho de estar ali. E eu também. A fila... lembro da primeira fila. O papel estranho, a cópia da cópia da cópia da cópia. As pessoas. Começo a reparar nas pessoas. Nossa! Aquela menina... odiava ela... será que ela imagina o que eu vim fazer aqui? Tomara que ela esteja feliz. Eu estou. Aquele cara... como ele chamava mesmo? Meu deus! Fazia uns 2 anos que eu não via aquela senhora... e essa garota? A da franja, lembra? Gente! É impressionante... parece que hoje, justamente hoje, todos resolveram sair do bueiro, visitar meus olhos e excitar a minha gaveta das lembranças. Quarenta minutos de espera. É... é sempre assim... sempre foi... porque hoje ia ser diferente? É a minha vez. Hahaha! Minha vez chegou! Não é impressionante? Sem gaguejar. A folha de papel nas mãos. Preencher. Solicitar. Aguardar. Ler. Assinar. Pronto. Está feito. Mas, de repente, as luzes apagam. Holofote em mim e nele. “Você achou que ia ser fácil assim?” com uma risada maligna, ele apaga, dado por dado. “Você vai ter que fazer tudo de novo”. As luzes reacendem. As pessoas voltam a conversar. Não. Não tenho que refazer. Acabou mesmo. É o fim. Lembro de quando eu terminei o colégio. Dava uma angústia todas as manhãs. Sonhava, como sonho até hoje, que estava na escola. Mas que eu era mais velha e mais estranha. Ouço a música do White Stripes: “Well we're back in school again and I don't really know anyone. And I don't want to break the rules cause I've broken them all before”. Será que vou sentir saudades? Acordo da alucinação. É o fim. É o fim. E a única vontade que eu tenho é de sair gritando para todos que é o fim. Cambalhota no campo. Acabou! Acabou! Como o Galvão Bueno na final de 94. Não é o tetra. Não se passaram 24 anos. Mas, pra mim é como se fosse. É a graduação. É o fim. É um sonho. É uma desilusão. Há cinco anos atrás eu era uma garotinha deslumbrada por ter passado no vestibular. Hoje, eu sou uma garotinha assustada com o fim da graduação. Se aprendi alguma coisa na faculdade? Aprendi que tudo o que está escrito aqui recebe o nome de lugar-comum.

16 de fev de 2008

Como acabar com o stress no trabalho em 10 passos simples

1. saia para fumar com um amigo legal que compartilhe dos mesmos dramas que você. Aproveite o momento para falar mal das pessoas que você odeia;
2. almoce com pessoas legais que compartilhem dos mesmos dramas que você. Aproveite o momento para falar mal das pessoas que você odeia. Aproveite, também, para comer comidas gordurosas, se encher de sobremesas e tomar refrigerante. Passe o resto do dia pensando em quanto você vai engordar. Automaticamente, você vai esquecer as pessoas que você odeia;
3. Você esqueceu as pessoas que odeia, mas elas não esqueceram você. Vá até a mesa de café e, acidentalmente, dê um banho melado na sua inimiga número 1 do trabalho;
4. Mande fazer bonecos de vodu das pessoas que você odeia. Enfie alfinetes em seus joelhos e olhos. Enfie palitos de dente em seus ânus e bocas. Amarre os bonecos todos juntos e morra de rir no dia seguinte com as histórias sobre o happy hour em que todos passaram mal;
5. Contrate um profissional especializado em magia negra. Ofereça um carneiro imolado em troca de que seus inimigos percam membros. Não se esqueça que braços e pênis são mais importantes que pés;
6. Contrate uma mãe de santo e faça uma oferenda para alguma pomba-gira para que seus inimigos do trabalho tenham coceira na bunda. Lembre-se com prazer que eles não terão mais mãos para se coçar;
7. Peça para o Zé do Caixão rogar para seus inimigos sua célebre praga que os condena a vagar eternamente no mundo, sentindo dores mais fortes do que um câncer;
8. Coloque o nome de seus inimigos em uma folha de papel branco. Corte a folha e insira os papéis na boca de sapos gordos. Costure a boca das pobres criaturinhas e as jogue no Tietê;
9. Se, mesmo depois do sapo, seus inimigos não amanhecerem mortos, vá para o trabalho armado. Utilize seu AR-15 importado do tráfico carioca sempre que alguém lhe dirigir a palavra. Comece com os seus inimigos e tente deixar os amigos por último;
10. Aproveite cada instante de paz interior comendo de graça em algum manicômio judicial. Gargalhe sempre que lembrar que nunca mais vai trabalhar. Não esqueça de usar a influência daquele seu tio ministro para ter um atendimento VIP.

3 de fev de 2008

amy amy amy!


a voz da amy winehouse é uma daquelas coisas que fazem a gente ter vontade de se matar. Nós duas temos praticamente a mesma idade, e, quando ouço ela cantar percebo o quanto minha vida é estúpida. Ela tem uma voz do caralho, letras geniais, músicos incríveis, um marido estiloso e muita atitude pra dizer "não, não, não".

enfim, ela é foda.

só que é carnaval e me deixa ir até ali na praia, tomar uma cervejinha à beira mar enquanto a amy curte a rehab no inverno londrino...

ouvindo: amy winehouse - stronger than me (a capella)

(foto - bbc site)

31 de jan de 2008

solteirice

cabelo desgrenhados e gosto de whisky voltando à boca. dormi de rímel e acordei de sombra, mais uma vez. estendo um braço. definitivamente, aquela não é minha cama. é larga demais para sê-lo. o cheiro não é meu e eu tenho certeza que, se olhar para o chão, não vou encontrar meus bichinhos de pelúcia espalhados. será que todas as noites eles simplesmente caem pelo meu sono perturbado ou, desesperadamente, fogem de mim, preferindo o abismo e o chão frio à maldade iminente que exalo nos meus sonhos? questões eternas para uma mente mal resolvida. concluo que não há nada a concluir antes que eu possa descolar meus olhos ainda fechados pelo rímel à prova d’água comprado de um catálogo por apenas R$20,00. antes de me livrar desse problema recorrente nas manhãs dos fins de semana, já tenho uma certeza: estou sozinha naquela cama que não é minha. a dor de cabeça me lembra que, mais uma vez, exagerei na bebida. tento recompor os fatos, mas, enquanto não puder abrir os olhos, resolver problemas com a amnésia alcoólica não fará muito sentido. pouco a pouco, os cílios abrem-se, desabraçando-se. com a vista ainda turva, reconheço nas paredes pintadas de amarelo e laranja e nos mosaicos mal-feitos de espelhos que aquele quarto não só não é meu, quanto não pertence a ninguém, apesar de servir a tantos: isso é um quarto de motel. ok! olhos abertos, por mais que a paisagem não seja das mais belas e que as frestas de luz que entram pela veneziana barata de alumínio incomodem ainda mais a cabeça dolorida, é hora de encarar a verdade e reconstruir, a partir dos fragmentos incertos, uma noite inteira de solteirice e incertezas.

sai de casa no sábado à tarde. acabara de acordar e tomar banho e, ainda sem tomar café-da-manhã, um telefonema me tirou de casa: “vamô no cine? ta rolando um puta filme bom! vamaí!” sem pensar direito, peguei a chave e o som do carro e, sob os lamentos da minha mãe de que sou uma turista em minha própria casa (ah, mãe! o quanto é difícil entender que estar em casa me aproxima demais da minha mediocridade que eu tanto quero esquecer?), acelerei o carro vermelho como meu esmalte, meu sapato, meu batom e minha alma, e segui ao encontro de mais uma tarde perfeita.

realmente o filme era puta bom e realmente o sol escaldante sobre o solo da grande metrópole acaba traçando o caminho de todos os jovens urbanos: um bar. não é qualquer bar, claro. afinal, sequer anoiteceu e a claridade nos faz enxergar defeitos que na escuridão da noite são imperceptíveis. para ser dignamente freqüentável, um bar deve ter papel higiênico no banheiro, mesa para sentar e cerveja gelada por R$3,00. o bar escolhido pelo acaso atendia todas as exigências e nós, cinco mulheres solteiras, poderíamos começar, ainda com o sol se pondo, a melhor noite de nossas vidas.

ainda na cama daquele quarto de motel sem localização geográfica definível, sinto-me feliz por lembrar meu nome. repetia meu nome para mim mesma desesperadamente. não que a minha identidade não fosse um problema para mim, mas, saber quem eu era é um sinal de que eu havia vindo de algum lugar e que podia seguir para outro. o cheiro do whisky que sai dos meus poros me leva a duas novas conclusões (ah! o quanto a minha vida é feita de conclusões precipitadas...): não, não é sinusite, eu bebi demais de novo e sim, é hora de levantar desse lençol barato e tomar banho.

a água que escorre pelo meu corpo leva consigo não apenas o cheiro do whisky ruim. leva também as lembranças que eu quero esquecer. por que, mesmo uma noite perfeita, traz lembranças a serem esquecidas? leva ademais a maquiagem borrada que me faz parecer um misto de urso panda com pikachú: dormi de batom e acordei de blush, mais uma vez. só não leva as marcas de sensações baratas, de filosofias abstratas, de bebedeiras irracionais e de amores inesquecíveis. é verão e eu tenho muito a contar para meus futuros netos.

a ausência deixada pelos pêlos caídos no chão do box, pela cama revirada, pelos seios marcados e pelo bilhete com um telefone e um nome sobre o criado-mudo, me levam a lembrar do texto de uma amiga talentosa, que eu li há algum tempo:

uh, i've been dirt

acetona no esmalte vermelho
água e sabão nas tatuagens de caneta bic
colírio nos olhos
água boricada no nariz
flúor nos dentes
a pílula do dia seguinte são duas e devem ser tomadas num intervalo de 12 horas entre uma e outra

agora,
coração e alma,
como se limpa?

acelero o carro à procura de uma farmácia. o esmalte vermelho ainda não precisa de acetona. as tatuagens de caneta bic ficaram naquele banheiro sujo de motel. os olhos já estão descolados e o nariz devidamente desentupido. a única limpeza do corpo que ainda falta vai começar agora, mas só termina daqui 12 horas, quando eu tomar o outro comprimido.quanto à limpeza da alma, continuo procurando-a em amigos engarrafados, enquanto minha mãe se culpa por não ter a mim em casa.

30 de jan de 2008

começando

sempre q fico deprimida, muito, mas muito, deprimida, resolvo escrever. mas aí choro, minha cabeça dói e eu vou dormir. e, quando ouço alguma música triste tenho a impressão que escrevi ela num desses dias de depressão. mas tenho consciência q escrevo mal, apesar de ser (quase) uma beletrista. enfim, tava deprimida esses dias, ouvindo amy winehouse e chorando enqto dirigia pelas ruas molhadas d chuva e lágrimas d são paulo... resolvi seguir o conselho da camila e ler 2neurônio... descobri q elas estão velhas e já têm filhos... trabalham em empregos incríveis e viajam pra europa... já passaram dos 30 e tem ambições q eu não consigo imaginar...
me senti quase como qdo dei pela primeira vez e percebi q a revista capricho não fazia mais sentido nenhum na minha vida... mas, ao contrário, 2neurônio é uma coisa q AINDA não faz sentido nenhum na minha vida. simplesmente, pq nem me formei ainda, morro medo de crianças (agradeço todos os dias ao inventor do anticoncepcional), tenho um emprego burocrático (q é o orgulho da família inteira) e o mais longe q cheguei foi a ubatuba...
esse blog é pra meninas d vinte e poucos anos, como nós, educadas, frustradas, bem-sucedidas e desiludidas. meninas com empregos bons q elas odeiam. com uma formação de dar inveja q elas questionam. q são felizes com os caras errados e q sofrem pelos certos (q são certos demais). q bebem e acordam com ressaca e amnésia. ouvem as melhores músicas, lêem os melhores livros, vêem os melhores filmes e choram com as piores novelas. meninas cujas maiores ambições são se formar e terminar de pagar as prestações do carro popular.