30 de dez de 2008

rear view mirror

se vc soubesse como gosto de parar no tempo e t olhar. seus cabelos vermelhos, seus olhos castanhos, sua boca d morango. suas unhas roídas sempre pintadas d vermelho. olha! qto tempo não t reparo... vc não está mais roendo as unhas! está menos infantil... um ar d apaixonada! há qto tempo não t via assim? é, vc está certa, faz tempo
sabe o q gosto em vc? essa espontaneidade. esse seu ar d moleca crescida q nunca acaba. qdo há mãos roçando seus cabelos e seus olhos se enchem d luz e vc abre levemente as pernas. e como vc se alonga toda qdo ganha um beijo no pescoço. parece um gatinho travesso, se expandido pra aumentar a zona d contato
gosto como seus olhos dizem sim para pedidos silenciosos, como vc não precisa dizer nada qdo quer alguma coisa. vc só olha pra baixo, pisca e levanta a cabeça lentamente ao mesmo tempo em q sua boca se preenche com um sorriso no canto dos lábios
o qto é difícil pra vc dizer não, né? o qto é difícil pra vc se entregar. o qto vc é contraditória em tudo q faz... diz q quer estar pra sempre sozinha, mas se apaixona toda pelo primeiro par d olhos q t faz tremer. e logo em seguida esconde seus sentimentos em sua caixinha d pandora. se vai e esvai e deixa passar as chances e sofre por antecipação e não sente por emoção. e seus olhos ficam sem brilho e sua boca, fica sem cor
gosto d t ver sorrir, msm sabendo q não é d verdade. gosto d t ver chorar, msm sabendo q é só tpm. gosto d t ver passar e reparar em cada um d seus movimentos milimetrados pra chamar a atenção dos outros. gosto do qto vc chama a atenção dos outros! como pode... uma menina sem grandes atratativos... apenas uma menina... mas q sabe se impor. os outros acham q vc sabe o q quer, eu sei q não. eu sei do vazio q t consome
adoro a paixão q t inunda qdo vc fala sobre seu vazio, suas angústias, sua vontade d morrer
eu conheço esse sorriso. e eu tenho vontade d t agarrar, t jogar contra uma parede. t comer inteira, com vontade, com força e com vigor. como vc gosta. beijar as suas costas com furor. apertar vc inteira. t preencher. encher esse vazio q t consome por dentro
mesmo sabendo q, assim q tudo acabar, vc vai sofrer. q com a msm intensidade q vc sentiu esse momento, tudo se esvai, e vc vai chorar lágrimas d sangue. e vai se cortar, se machucar, se matar. vai se jogar na cama ardendo em chamas, soluçar agarrada com sua pimenta d pelúcia e, infantilmente, vai acariciar a ponta do travesseirinho q t acompanha desde a infância. é como se cada um q usasse seu corpo levasse um pedaço d sua alma. um pedaço irrecuperável. e seu vazio aumenta e aumenta e aumenta.
ah! se vc soubesse o qto eu queria me atirar na cama com vc, apagar suas lágrimas com beijos ardentes, encher o seu corpo com o calor da minha alma, t fazer sentir viva e completa e feliz e sussurrar no seu ouvido aquela música q vc tanto ama, sabe?

hey little apple blossom, what you seems to be the problem?all the ones you tell your troubles to, they don't really care for you
come and tell me what you're thinking, 'cause just when the boat is sinking, a little light is blinking, and I will come and rescue you
lots of girls walk around in tears, but that's not for you. you've been looking all around for years for someone to tell your troubles to
come and sit with me and talk awhile; let me see your pretty little smile. put your troubles in a little pile, and I will sort them out for you
lots of girls walk around in tears, but that's not for you
you've been looking all around for years, for someone to tell your troubles to.
come and sit with me and talk awhile; let me see your pretty little smile. put your troubles in a little pile, and I will sort them out for you
i'll fall in love with you
i think I'll marry you

me espera, eu estou aqui só t olhando
estou sempre por perto
mesmo qdo estou longe

eu t conheço e t amo

26 de dez de 2008

reencontro com uma alma tão semelhante

foi assim q o andré descreveu seu (re)encontro com a florbela espanca. falei sobre ela a ele numa das nossas profundas conversas sobre carregar a dor das feridas do mundo e o desespero d se sentir assim.

me dei conta d q ando apaixonada. e isso inclui a florbela, cujo nome não podia ser mais belo. mas, ainda assim, não tinha feito nenhuma referência a ela em nenhum lugar. mas eis o momento.

meu único lamento é terem tirado o veronal de circulação...

sem remédio

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou…
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos da Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio.
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

desejo
Quero-te ao pé de mim na hora de morrer.
Quero, ao partir, levar-te, todo suavidade,
Ó doce olhar de sonho, ó vida dum viver
Amortalhado sempre à luz duma saudade!

Quero-te junto a mim quando o meu rosto branco
Se ungir da palidez sinistra do não ser,
E quero ainda, amor, no meu supremo arranco
Sentir junto ao meu seio teu coração bater!

Que seja a tua mão tão branda como a neve
Que feche o meu olhar numa carícia leve
Em doce perpassar de pétala de lis…
Que seja a tua boca rubra como o sangue
Que feche a minha boca, a minha boca exangue!
…………………………………………….
Ah, venha a morte já que eu morrerei feliz!…
*imagem: florbela espanca por botelho

22 de dez de 2008

taste the pain

sua boca tem gosto d cerveja, whisky e cigarro
vc é seco e é amargo
seu corpo tem gosto d cerveja, whisky e cigarro
vc é seco e é amargo
suas mãos tem cheiro d cerveja, whisky e cigarro
vc é seco e é amargo
seu sexo tem cheiro d cerveja, whisky e cigarro
vc é seco e é amargo

vc tem gosto d mim
vc tem cheiro d mim

vc é seco e é amargo

17 de dez de 2008

desabafo

a idéia de suicídio tem se tornado cada vez mais recorrente na minha vida. de repente, é como se eu voltasse a ter 16 anos e as angústias tomassem conta d mim, me levando pra um único pensamento possível: a auto-destruição. durante anos e anos, me queimei com fósforos. a dor da auto-mutilação é mto menor q a dor interior. a sensação q tenho é q há um vazio gigante dentro d mim. é impossível preenchê-lo. sempre q tenho a impressão d q estou completa, feliz, diante d uma possibilidade d “vida”, o vazio se move, pra cima e pra baixo, pros lados, ocupa tudo, me incomodando, dando aquele nó na garganta, aquele arrepio no estômago, aquela sensação de boca seca, aquela vontade d morrer, q só um enorme vazio interior é capaz de provocar...
hoje é um dia desses. E eu nem estou de tpm. queria, como disse a marina, deitar, dormir e só acordar depois do apocalipse. estou com uma tristeza desesperadora e a idéia de acabar com a minha própria vida não pára de atravessar os meus pensamentos.
às vezes, acho q só estou viva pelos outros. pq só vou atrapalhar a vida dos outros me jogando do 11º andar no meio da avenida paulista ou no trilho do metrô. pq os outros vão sentir falta, pq os outros vão sofrer. não por mim. não por meus planos. nem tenho mais planos. acho q meu único plano é viver até morrer. mais nada. e são justamente esses outros pelos quais eu me mantenho viva q tanto me incomodam, me maltratam, me magoam, me machucam. todos tão egoístas qto eu. dizem q suicidas são egoístas. eu sou egoísta, mas, provavelmente, não sou suicida, pq, até hj, não me matei apenas para não atrapalhar, magoar, machucar, estragar a vida dos outros. passo meus dias me sentido atrapalhada, magoada, machucada, estragada. mas não acabo com a minha vida pra não transferir esses sentimentos para os outros. oh, doce thaís! como és pura e bela de coração!
penso no qto minha mãe sofreria ao me perder. mas será q ela não sofre mais com a minha auto-destruição? ela não sofre pq não vê. ela enxergaria facilmente meu corpo inerte preso em um caixão d madeira. mas ela não é capaz d enxergar meu corpo inerte preso em uma multidão d culpas, incertezas, tristezas, angústias. ela enxergaria facilmente meu nariz cheio de algodão. mas ela não é capaz d enxergar meu nariz cheio d poeira das estrelas. ela enxergaria facilmente minha cabeça esvaziada d miolos. mas ela não é capaz de enxergar esse vazio q ocupa tudo dentro e ao redor d mim. e a culpa não é dela. nem minha. nem d nada. nem d ninguém. queria q fosse, pq, aí, seria só me livrar do culpado. queria q a dor fosse física. algum remédio curaria.
esses dias a lia escreveu sobre o fato dela somatizar seus sentimentos. esses dias, a minha terapeuta falou sobre eu somatizar meus sentimentos. acho q essa é a melhor maneira d sentir. do resto, estou esvaziada. não amo, não gosto, não sinto, não odeio. penso, ajo. e sou vazia.
é tudo ainda mais terrível. me sinto à vontade contando isso tudo pro papel, como não me sinto contando pras pessoas. as pessoas vão me ligar e perguntar o q eu tenho e querer me convencer d q estou errada, q “eu tenho tudo q quero”, q “reclamo d barriga cheia”, “q tem tanta gente em situação pior”. tem tanta hiena q come carniça e ainda dá risada! eu não sou assim. não adianta tentar me convencer. não adianta me ligar, me culpar, me julgar. eu tenho consciência do mundo e isso dói demais. nesses momentos, uma das coisas mais bregas do universo vem à minha cabeça. legião urbana. brega, mas condizente com o q sinto e penso:
“queria ser como os outros e rir das desgraças da vida. ou fingir estar sempre bem. ver a leveza das coisas com humor. mas não me diga isso, é só hoje, e isso passa. só me deixe aqui quieto, isso passa. amanhã é um outro dia, não é?”
amanhã não é outro dia. não é só hoje. e isso não passa. mas eu não agüento mais fingir q estou sempre bem. nunca consegui rir das desgraças da vida e nunca mais quero ser como os outros.

eu só queria não pensar mais, não sentir mais, não viver mais. só isso.

15 de dez de 2008

a conexão não pôde ser estabelecida

meu micro d casa parou
mas comprei um notebook pela internet q deve chegar em breve
enqto isso, to usando o do meu primo pra postar aos poucos os vários textos q escrevi nesses tempos sem comunicação com o mundo
aproveitando o momento, quem quiser se rachar d rir pode ver esse videozinho q eu gravei bêbada na casa da betinha q eu taaaaanto amo!

enqto isso...

loser

um dia vc acorda e a boca está cheia de formigas
um dia vc acorda e os pulsos estão vazios
um dia vc acorda e a garganta é o gosto do veneno
um dia vc acorda e a pele está queimada
um dia vc acorda e o pescoço está enrolado
um dia vc acorda e o corpo está caído
um dia vc acorda e a sua cabeça não está mais lá pra pensar de novo