3 de out de 2010

rotina


pode apertar, eu nem ligo.
nem liga? nem liga? depois você reclama quando fica roxo...
reclamo mesmo. não gosto de mordida, você sabe.
dane-se. eu mordo e quero que fique a marca!
não, não morde de novo! porra! no mesmo lugar?
gostosa!
filho da puta!
vem cá, pula no meu colo, vem! eu te agüento!
guenta nada! sou pesada...
você é gostosa...
sobe aqui, vai!
assim?
é, assim! gostosa!
podia passar a vida inteira agarrada assim em você... na real, eu podia morrer agora assim...
você gosta mesmo?
eu não gosto, eu amo! to cheia dos clichês hoje... puta que pariu, viu?!
adoro suas tetas...
gosta mesmo?
gosto...
então engole elas...
engulo...
caralho! não morde!
você é gostosa demais... vem cá, me dá um beijo...
só se você prometer não me morder mais...
não prometo nada... só se você deixar de ser gostosa...
só se você quiser...
eu não quero...
então vem cá e me engole inteira...

26 de mar de 2010

estranho prazer #1

após passar toda a tarde tricotando, dona dirce espera dar seis da tarde pra sair de casa carregando panelas, potes, vidros, roupas, periquito e papagaio dentro de imensas sacolas plásticas e de tecido. arrasta tudo até o ponto mais próximo e dá sinal pro ônibus mais cheio que avista. Faz questão de aceitar o lugar que a mulher de 35 anos, (que acorda às 5:30 pra arrumar, dar café e levar os dois filhos à escola, passa o dia trabalhando de pé e agachada numa loja de sapatos do outro lado da cidade, volta pra casa só pra fazer o jantar, arrumar a casa, cuidar dos filhos e dormir as suas tradicionais 4 horas de sono) lhe oferece. desce num ponto próximo ao centro da cidade. Dá uma volta no quarteirão carregando suas coisas. senta-se por cinco minutos numa praça cheia apenas para descansar e volta para o ponto, para pegar mais um ônibus lotado em direção à sua casa.torce para chegar cedo. afinal, amanhã, quando der sete e meia da manhã, recomeçará sua via crucis de uma hora e meia até o centro da cidade com seus pertences, para dar a mesma volta no quarteirão, sentar por cinco minutos na praça apenas para descansar antes de pegar o ônibus lotado de volta para casa.os filhos e netos acham que ela está caducando.
o que eles não sabem é que ela sente um estranho prazer em se aproveitar da bondade alheia.