18 de nov de 2008

short cuts*

sexta
A – pô, parece mesmo. aquela mina que é mulher do otto, né?
B – não, é ex. largou. tá usando até maquiagem na tattoo.
C – porra! pra que maquiagem? é só pôr um érre. fica “ottRo”!

sábado
A – mano! pára! cê rói demais a unha!
B – ah! foda-se!
A – gosta tanto que podia fazer disso profissão. ficar sentado lá no centro, com uma plaquinha: “rói-se unha”.

domingo ensolarado
família na porta de casa. o carro de som, as bexigas, o skypaper, o megafone. a declaração de amor. as lágrimas da família inteira. mãe, pai, menina, irmão, sobrinha, irmã, cachorro, tia, cunhado, gato, outra sobrinha. o quer casar comigo no ouvido do bairro todo. do outro lado da rua, os meninos. amigos, atrás do muro. “declaração de amor uma porra!”. 24 ovos acabando com a festa.

e amanhã, é segunda de novo

“your mother calls, your friends never call, your dog died and tomorrow is monday again...” (css)

A - sabe que eu acho esse nosso grupo perfeitamente adequado?! um estudante de engenharia, odontologia ou nutrição certamente diria alguma coisa técnica sobre a ventilação, o desenho e a estrutura do prédio, a captação de energia eólica, as falhas no projeto... nós falamos sobre as conseqüências no espírito de uma pessoa por ficar sem contato visual com o exterior, sem poder ver o brilho do sol, sem ver os passarelhos e passaralhos voando livres e brincalhões, numa disputa selvagem do rasante mais arriscado sobre a fria moldura da cidade; ou falamos sobre as gotas de chuva, debatendo-se frenéticas contra a vidraça, forçando a entrada e melando sensualmente os grandes lábios famintos da segunda-feira, que nos engole mais um naco da vida, em troca de um punhadinho de papéis numerados e coloridos de infâmia.

B - sim, sim. tudo seria mais fácil, se não tivéssemos nascido com esse buraco q insiste em arder dentro de nós. tudo seria mais fácil, se não fossemos criaturas incompletas q buscam no mundo uma justificativa para sermos assim. tudo seria mais fácil, se fossemos tolos e vivessemos sorrindo por aí, sem perceber a infinidade d contradições q existem dentro d nós. tudo seria mais fácil, se tivéssemos ouvido nossos pais e feito engenharia, odontologia ou nutrição, ao invés de procurar no texto dos outros as respostas para nossas angustias e para os problemas do mundo.

*baseadas em fatos reais. os nomes foram trocados para preservar a identidade das personagens.

11 de nov de 2008

víííííício!

e com o dinheiro q ganho lançando fundos de investimento, posso suprir minhas carências, descontar minhas raivas, esconder minhas frustrações, transformar meus problemas em êxtase e tesão. como? simples: fazendo terapia, tomando tarja preta e, principalmente, COMPRANDO SAPATOS!

quem me conhece sabe q eu tenho uma "pequena" coleção d melissas. sim, melissas. melissinhas. di prásticu. aquelas d qdo vc era criança. elas são um luxo. objetos d desejo. duráveis (até a próxima coleção). muderrrrrrrnas. hypadas. colecionáveis. ou seja: a mais pura essência do consumismo capitalista.

resumindo: eu podia tá robano, eu podia tá matano, eu podia tá xerano droga. mas não. eu tô contribuindo para o capitalismo.

esses dias foram tensos, mas rolou a plr do banco. com o q sobrou depois de quitar algumas (eu disse: algumas!) dívidas, comprei mais seis exemplares pra minha coleção. já devo ter mais d 50... eu não sei... antes, fotografava uma por uma, assim q elas chegavam e, ainda por cima, montava uma foto com todas juntas. da última vez q comprei, não fiz isso e acabei perdendo a conta.
lá em cima, a última fotinho da coleção (in)completa e, abaixo, fotinhos dos modelitos q estão pra chegar. chegar, isso. eu compro pela internet.

sim, sou quase a imelda marcos do século XXI


ps: caso alguém tenha se perguntado, além da coleção de melissas, eu ainda tenho outros sapatos. desses normais d ir trabalhar, d ir correr no parque, d ir em show d róque...

ps2: caso alguém tenha se interessado, eu compro na loja melissa e na unik melissa e não ganho nada pra fazer propaganda.

too far, too close

de repente me deu vontade de voltar a estudar
voltar do pré-primário
colorir com lápis de cor 36 cores aquarelável
fazer pintura a dedo com tinta guache
criar pinturas em espelho com tinta plástica
dar formas à massinha de modelar
fazer bolinhas, zig-zags, colagem de barbante
aprender as primeiras letras, as primeiras sílabas, as primeiras palavras
fazer teatro e tocar flauta
ler os livrinhos do draculinha, pretinho meu boneco querido, mariana do contra, as cores de laurinha
começar a somar, diminuir, dividir, multiplicar
conhecer a história da humanidade do começo até hoje
conhecer a geografia toda: a física, a política
aprender as regras de gramática do comecinho
ler os clássicos pra entender os contemporâneos
fazer a educação física q eu sempre cabulei
correr no pátio, na hora do recreio
beijar pela primeira vez na boca, em algum cantinho escondido da quadra coberta
descobrir a biologia, a física e a química
fazer cursinho, prestar vestibular e dar um novo rumo pra minha vida
como se nunca tivesse feito nada disso antes
uma vez, um professor da faculdade disse:
“eles colocam os moleques na escola, quando deveriam estar por aí, soltando pipa, andando de bicicleta. as crianças gastam a melhor parte de suas vidas aprendendo coisas para as quais elas não dão valor. moleque devia entrar na escola com 20 anos. aí sim, se está pronto pra aprender.”
ele tem toda razão
hoje, com 24 anos, eu poderia aproveitar mto mais a escolinha, o colégio, o cursinho... quiçá, a faculdade...
mas já tá tarde, a crise econômica mundial não dá tréguas e eu tenho um monte de fundos de investimento pra lançar
aos 24 anos...